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IoT, IA e BIM em Facilities: o Guia da ARO para Aplicar Tecnologia sem Desperdiçar Dado

Adotar tecnologia em Facilities só funciona quando vem depois — não antes — da definição ou revisão de objetivos, processos e indicadores. É esse passo que a maioria das empresas pula, e por isso muitas "têm dados, mas a gestão não evolui": coletam informação em tempo real que antes não tinham, mas não conseguem transformá-la em redução de custo ou melhor experiência, porque faltou preparo prévio para a análise. As aplicações já vão de gestão de estações de trabalho a limpeza proativa por sensor — com casos reais de redução de até 40% em contratos de limpeza.

Em resumo

  • Antes de adotar tecnologia, é preciso definir ou revisar objetivos, processos e indicadores — pular essa etapa é a causa mais comum de "ter dado, mas não evoluir".
  • Soluções devem se aproximar do plug & play, com infraestrutura leve e dados que não trafeguem pela rede corporativa.
  • Aplicações vão de gestão de estações de trabalho e salas de reunião a utilidades, sistemas prediais, controle de ativos e limpeza proativa por sensor — já com casos de redução de até 40% em limpeza.
  • BIM não é uma tecnologia isolada, é um processo que gerencia dados do edifício durante todo o ciclo de vida — e deve continuar sendo usado na fase de operação, não só na de projeto.
  • Segundo o Gartner, 32% das organizações já substituíam funcionários em período integral por trabalhadores temporários como medida de redução de custo, reforçando a pressão por eficiência via tecnologia.
Neste artigo

Antes da ferramenta: defina o que quer medir

É característica da gestão do século XXI automatizar tarefas de rotina para que as equipes fiquem focadas no negócio. O desenvolvimento de soluções em IoT tornou essa intensificação possível — mas, perto do potencial disponível, a aplicação de IoT, IA e Machine Learning em Facilities ainda é insipiente, assim como o uso do BIM (Building Information Modeling).

Antes de adotar qualquer solução tecnológica, é mandatório fazer definição ou revisão prévia de objetivos, processos e indicadores. Além disso, como as empresas enfrentam digitalização obrigatória de seus negócios, áreas de apoio como Facilities precisam de soluções robustas, porém “leves” do ponto de vista de infraestrutura de TI — o ideal é buscar algo próximo do plug & play, com dados que não trafeguem pela rede corporativa.

Tenho dados, mas minha operação não evoluiu — por quê?

Segundo o Gartner, em seu estudo “9 Future of Work Trends Post-COVID-19”, 32% das organizações já substituíam funcionários em período integral por trabalhadores temporários como medida de redução de custo — um retrato de quanto a eficiência virou prioridade. Mas melhor gestão significa ação mais rápida com direção correta, não só velocidade: é o dilema entre agilidade e profundidade de análise.

Isso explica um problema recorrente: a disponibilidade de dados, por si só, não leva a bons resultados. Diversas iniciativas de IoT — provas de conceito ou implementações completas — são feitas, mas o tratamento dos dados coletados não acontece de forma estruturada. O dado que antes não se conseguia extrair agora está disponível, mas não se transforma em redução de custo ou melhor experiência. A causa raiz normalmente não é falta de capacidade técnica, e sim carga operacional urgente que consome o “tempo estratégico”, e a ausência de preparo prévio — avaliar cultura, momento e nível de maturidade da gestão antes de sair comprando ferramenta.

Onde a tecnologia já se aplica em Facilities

AplicaçãoO que resolve
Gestão de estações e salasControle de ocupação em tempo real, reserva e cancelamento automático por não comparecimento
Utilidades e sistemas prediaisDetecção de vazamento, aquecimento fora do padrão e otimização de ar-condicionado e sistemas via IoT
Limpeza proativaSensor de fluxo aciona limpeza por demanda, não por agenda — casos já identificaram redução de até 40%
Controle de ativos e estacionamentoRastreamento de ativos de alto valor e gestão de vagas com dado para novos projetos
Feedback e crachá inteligenteCaptação de satisfação em tempo real e acesso a serviços conforme política da empresa

BIM: processo, não ferramenta

O custo total do ciclo de vida de uma edificação é mais impactado pela operação e manutenção do que pelo desenvolvimento e construção — por isso, pensar a operação já na fase de projeto reduz custo operacional e melhora a experiência dos usuários. É aí que entra o BIM: mais do que uma tecnologia isolada, é um processo que gerencia dados do edifício ao longo de todo o ciclo de vida, usando ferramentas de modelagem, banco de dados e processamento. Seu uso não deveria terminar na fase de Projetos & Obras — precisa se estender à Operação para entregar todo o benefício que promete.

Álvaro Aguiar

Sócio-fundador

Profissional com 40 anos de carreira iniciada na construção civil, tem quase três décadas de experiência na gestão de Corporate Real Estate em grandes empresas como Globo, Google e AC Camargo Cancer Center. É sócio-fundador da ABRAFAC (Associação Brasileira de Property, Workplace e Facility Management), tendo sido diretor da instituição, assim como da CoreNet Global Chapter Brazil. Engenheiro Civil com mestrado em Arquitetura, MBA Executivo e pós graduações em corporate real estate, gestão empresarial, ar condicionado, administração e marketing.

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