Pessoas, ESG e tecnologia: os três eixos do FM em 2024
A EuroFM Conference 2024, realizada de 10 a 12 de junho na London Metropolitan University, reuniu participantes de mais de 15 países e 4 continentes — painéis, palestras, prêmio, networking e uma competição de estudantes. Os temas abordados combinaram três elementos que já orientam a gestão de Facilities mais madura no mundo: gestão centrada nas pessoas, comprometimento com princípios ESG e uso mais intenso de tecnologia.
Jane Ballantyne (London Metropolitan University) trouxe quatro questões que pressionam a agenda ambiental: net zero de carbono, aumento da regulamentação na Europa, resiliência a mudanças climáticas e o volume crescente de dados. Já o professor Matthew Tucker (IFMA/LJMU) avaliou a maturidade tecnológica do setor — destacando que, na América do Sul, gestores já conhecem as possibilidades de tecnologia, mas a aplicação prática segue tímida frente ao que já está disponível.
Evolução ou regressão: os dois caminhos do FM
Gordon Mitchell trouxe a pergunta mais direta do congresso: estamos prontos para lidar com a sobrecarga de dados? E resumiu o dilema do setor em dois caminhos. Evolução: abraçar a transformação digital, integrar princípios ESG, aumentar o valor estratégico, adotar tecnologias de edifícios inteligentes e fomentar inovação contínua. Regressão: ignorar avanços tecnológicos, negligenciar sustentabilidade, desconsiderar o bem-estar dos funcionários e resistir à mudança.
Nesse cenário, um painel de Embaixadores do EuroFM — do qual participou o sócio da ARO Luciano Brunherotto — debateu a profissão de Facility Manager até 2050. Constatou-se que ainda há poucos profissionais com a palavra “Facilities” no cargo, mas é unânime o reconhecimento de sua relevância estratégica desde a pandemia — e que, mesmo com mais tecnologia, as pessoas seguem no centro das soluções de FM.
CSRD: a regra que já obriga empresas europeias a reportar impacto
Um dos painéis tratou de uma nova legislação europeia, o CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), que obriga empresas a divulgar seus impactos ambientais e sociais. A partir de 2024, o reporte é obrigatório para grandes empresas (250+ funcionários e receita igual ou superior a 40 milhões de euros); a partir de 2026, passa a valer para empresas de porte médio (50+ funcionários, receita igual ou superior a 15 milhões de euros) — e, independentemente do porte, para setores de alto impacto como energia, transporte, construção, têxtil e agroalimentar.
Ainda são poucas as empresas com programas efetivos de carbono zero — cerca de 10 mil no mundo. Outra palestra trouxe quatro princípios-chave para medir ESG em tempo real no ambiente construído: medir e divulgar carbono, reduzir a demanda de energia, gerar equilíbrio com energia renovável, e melhorar verificação e rigor ao longo do tempo.
As novas competências do profissional de FM
O congresso também mapeou as competências que o novo FM exige: alfabetização digital, conhecimento em sustentabilidade e ESG, gestão de inovação e mudança, análise de dados, abordagem centrada no cliente, consciência de cibersegurança, automação e IA, tecnologias de edifícios inteligentes, e design centrado no ser humano.
No painel sobre trabalho híbrido — com participação do sócio da ARO Álvaro Aguiar — o consenso foi que ambientes híbridos vieram para ficar, cada empresa vai seguir ajustando as condições conforme sua cultura e equipe, e a tecnologia se torna ainda mais importante para entender de fato como os espaços são usados. Como resumiu uma das palestras da conferência: “seres humanos formam o patrimônio que menos utilizamos no século XXI — o futuro é sobre sermos humanos”.




